Pular para o conteúdo principal

MEUS CINQUENTA ANOS DE BALSENSE






Ontem, 9 de março, transcorreu cinquenta anos que minha querida mãe abriu os seus braços  (ou foi as pernas?) e disse para o povo de Balsas: aqui está o meu rebento. 
De tão fraco quando nasci a natureza queria logo me devolver.
Apareceram as "mães de leite" balsenses para ajudar a Luzia Bucar a cuidar do seu primeiro filho. 
Uma delas é a Dona Celina, esposa do senhor Constâncio Coelho, a quem chamo "mãe Celina", a outra, foi a Dona Violeta, esposa do Dr Roosevelt. Elas são as culpadas pela formula que me fez aguentar vivo até agora. A elas o meu profundo respeito e carinho por serem minhas "mães postiças".
No batido que vou, estou planejando escrever algo semelhante quando completar os cem e os cento e cinquenta anos. Só espero que vocês estejam juntos pra comemorar comigo.
O corpo já não é o mesmo. Cabelos já não os tenho mais (fiz doação para uma fábrica de perucas que estava quase falida). 
As fotografias são a prova do desgaste que o tempo faz no que os nossos pais fizeram e que eu era realmente magro.
Uma coisa eu posso afirmar, sentado num banco no quintal de casa estou bem melhor do que no carinho de brinquedo que só ajudou entortar as minhas pernas.
Mesmo assim, parabéns para mim e meu muito obrigado ao Sr Antonio Carlos, meu pai, que viu na Sra Luzia Bucar algo que não sei explicar, motivo da minha aparição para o mundo expiar.
Só em Balsas nasce uma coisa dessas.









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Academia Maranhense de Letras - sucursal Barra do Corda

          Enquanto Barueri alcança o ápice dos municípios brasileiros com melhores condições de vida, com muita tristeza relatamos um fato que causa vergonha, porque não dizer, indignação, pois se trata da condição em que se encontra atualmente uma escola municipal no Povoado Olho D´Água dos Crispianos, em Barra do Corda, Estado do Maranhão. Falamos apenas da condição física do prédio, imagine as condições pedagógicas!   A localidade fica distante cerca de 15 km da sede do município. O colégio funciona dentro de uma pastagem e as aulas são ministradas ao lado de animais que vão fazer sua refeição no local. Suspeita-se que o município de Barra do Corda receba recursos do Ministério da Educação. O prefeito Manoel Mariano de Sousa, o Nenzim (PV), é acusado pela Polícia Federal de desviar R$ 50 milhões dos cofres da cidade.   Com certeza a prefeitura não gastaria muita coisa para dar dignidade ao professor e aos alunos que talvez freqüent...

Zé Paulino Terapia

Em São Paulo, no Bom Retiro, entre Júlio Prestes e Luz, corre a rua José Paulino — conhecida por todos como Zé Paulino . É um centro comercial e, ao mesmo tempo, um consultório terapêutico a céu aberto: mulheres que chegam angustiadas saem de lá com um alívio imediato embalado em sacolas.  É um sobe e desce de mulheres de todos os tipos — altas, baixas, magras, cheias, de várias origens — todas em busca da peça que promete consertar o trabalho, o lar, o casamento ou a autoestima.  Dentro das lojas, a cena se repete: uma diz que viu primeiro, outra jura que a peça já estava separada, outra aponta um defeito; quando a peça finalmente é largada, alguém a segura e corre ao caixa, mesmo sabendo que pode voltar na semana seguinte para trocar.  Os maridos ficam à margem, de braços cruzados, confundindo-se com os vigilantes das lojas. Rua Zé Paulino: paraíso das mulheres que procuram, por um instante, a cura na aparência — nem sempre coerente, sempre urgente.

Sabedoria da Vovó Esmeralda

Na minha terra natal, as coisas se resolvem de modo simples, como as pessoas de lá — mas sempre deixando que cada um tire suas próprias conclusões.  Numa tarde de almoço, todos sentados nos bancos de madeira ao redor da mesa comprida: meu pai Antônio Carlos, minha mãe Luzia, minha avó Esmeralda, meus irmãos Kaaled, Fernanda, Haroldo, Lúcio e eu. A comida vinha em travessas enormes; o calor era tanto que os homens sentavam sem camisa, só de calção e chinelo.  A cozinha cheirava a arroz — porque maranhense não vive sem arroz —, feijão vermelho, carne bem temperada com cheiro-verde e pimenta, e a velha farinha de puba. A cozinheira Conceição trouxe a bacia de arroz, o feijão e, em seguida, a carne. Só que, naquele dia, a carne era língua de boi cozida.  Kaaled, como sempre, fez cara de nojo e perguntou:  — Eu não como isso. O que é?  — É língua cozida, meu filho — respondeu minha mãe, com paciência.  — A língua que sai da boca da vaca? — insistiu ele.  Me...