Em São Paulo, no Bom Retiro, entre Júlio Prestes e Luz, corre a rua José Paulino — conhecida por todos como Zé Paulino. É um centro comercial e, ao mesmo tempo, um consultório terapêutico a céu aberto: mulheres que chegam angustiadas saem de lá com um alívio imediato embalado em sacolas.
É um sobe e desce de mulheres de todos os tipos — altas, baixas, magras, cheias, de várias origens — todas em busca da peça que promete consertar o trabalho, o lar, o casamento ou a autoestima.
Dentro das lojas, a cena se repete: uma diz que viu primeiro, outra jura que a peça já estava separada, outra aponta um defeito; quando a peça finalmente é largada, alguém a segura e corre ao caixa, mesmo sabendo que pode voltar na semana seguinte para trocar.
Os maridos ficam à margem, de braços cruzados, confundindo-se com os vigilantes das lojas. Rua Zé Paulino: paraíso das mulheres que procuram, por um instante, a cura na aparência — nem sempre coerente, sempre urgente.

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