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Sabedoria da Vovó Esmeralda

Na minha terra natal, as coisas se resolvem de modo simples, como as pessoas de lá — mas sempre deixando que cada um tire suas próprias conclusões.  Numa tarde de almoço, todos sentados nos bancos de madeira ao redor da mesa comprida: meu pai Antônio Carlos, minha mãe Luzia, minha avó Esmeralda, meus irmãos Kaaled, Fernanda, Haroldo, Lúcio e eu. A comida vinha em travessas enormes; o calor era tanto que os homens sentavam sem camisa, só de calção e chinelo.  A cozinha cheirava a arroz — porque maranhense não vive sem arroz —, feijão vermelho, carne bem temperada com cheiro-verde e pimenta, e a velha farinha de puba. A cozinheira Conceição trouxe a bacia de arroz, o feijão e, em seguida, a carne. Só que, naquele dia, a carne era língua de boi cozida.  Kaaled, como sempre, fez cara de nojo e perguntou:  — Eu não como isso. O que é?  — É língua cozida, meu filho — respondeu minha mãe, com paciência.  — A língua que sai da boca da vaca? — insistiu ele.  Me...